​Angelo Astolfi  é “Ulisses” e, como o herói grego sonha com sua Ítaca. Retorna muitas vezes para a Itália, mas os compromissos de trabalho e família o mandam de volta para além do oceano.


Sua alma e suas raízes estão ligadas a valores significativos da civilização mediterrânea, aquela que gerou Fídias e Platão, assim como Cícero e César, até Michelangelo, Giotto, Leonardo e todos os outros.

 

Paradoxalmente, a distância do "lar" aumenta seu interesse pelas obras desses grandes mestres. Estuda, pesquisa as fontes daquela fascinante civilização já esmagada pela monstruosa modernidade atual.

 

Percebe a grande necessidade de crer na pureza das linhas clássicas, na áurea perfeição da simplicidade, no mito do herói, que não pode e nem quer esquecer, pelo contrário; procura, em si mesmo, a maneira de testemunhar.

Esse trabalho de pesquisa se une à realidade com a qual convive. Observa nos índios da floresta amazônica, num contexto de civilização ainda não poluída, seus arquétipos, um elo com sua própria cultura, uma continuação... e molda no bronze o "Índio com arco e flecha", vestido de suas penas.

 

Aproxima dois mundos aparentemente longínquos e diferentes e os reduz a um só, onde o homem volta a ser o "de origem", em harmonia com a natureza, consigo mesmo; um herói sem tempo, autêntico e inquietante, o mito.

 

O olhos de seus bronzes olham para longe. As formas inspiram serenidade, as figuras se harmonizam com o espaço; o tempo fica parado na dimensão do sonho, na saudade de uma época que não volta mais, mas não para Angelo, que os guarda na memória, que acredita ainda naquele homem, na sua civilização e em seus valores, materializando-os em seus bronzes.

 

Prof. Mazza Pier Antonio